{"id":29176,"date":"2021-07-20T10:12:30","date_gmt":"2021-07-20T13:12:30","guid":{"rendered":"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/?p=29176"},"modified":"2022-01-14T12:17:11","modified_gmt":"2022-01-14T15:17:11","slug":"trabalhador-temporario-nao-se-confunde-com-o-empregado-terceirizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/trabalhador-temporario-nao-se-confunde-com-o-empregado-terceirizado\/","title":{"rendered":"Trabalhador Tempor\u00e1rio n\u00e3o se confunde com o Empregado Terceirizado."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Resumo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O presente estudo abordar\u00e1 as principais diferen\u00e7as entre o trabalhador tempor\u00e1rio e o empregado terceirizado, e o regime jur\u00eddico trabalhista, civil e fiscal de cada um.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Terceiriza\u00e7\u00e3o, Fornecimento de M\u00e3o-de-obra, Trabalho Tempor\u00e1rio, Intermedia\u00e7\u00e3o, Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os de M\u00e3o-de-obra Terceirizada, Taxa de agenciamento. <\/span><\/p>\n<p><strong>Sum\u00e1rio:<\/strong> 1. Introdu\u00e7\u00e3o, 2. Conceito, 3. Refer\u00eancias Legislativas 4. Previs\u00e3o legal e Regulamenta\u00e7\u00e3o, 5. Contrato civil entre empresas, 5.1 Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os de intermedia\u00e7\u00e3o de trabalhadores tempor\u00e1rios x Fornecimento de m\u00e3o-de-obra, 5.2 Necessidade de registro especial das Ag\u00eancias, 5.3 Autoriza\u00e7\u00e3o de contrato, 5.4 Caracter\u00edsticas dos Contratos, 6. Caracter\u00edsticas do Contrato de Trabalho, 6.1 Registro x Anota\u00e7\u00e3o da CTPS 6.2 Prazo da Contrata\u00e7\u00e3o, 6.3 V\u00ednculo Sindical, 6.4 V\u00ednculo empregat\u00edcio dos trabalhadores, 6.5 Obriga\u00e7\u00f5es Fiscais dos Trabalhadores\/Empregados, 6.6 Direitos dos Trabalhadores\/Empregados, 6.7 Promo\u00e7\u00f5es e plano de carreira, 6.8 Verbas por t\u00e9rmino de contrato, 6.8.1 Empregado Terceirizado, 6.8.2 Trabalhador Tempor\u00e1rio, 7. Pre\u00e7o do Servi\u00e7o, 8. Considera\u00e7\u00f5es Finais.<\/p>\n<p><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Lei n. 6.019 instituiu o regime jur\u00eddico de trabalho tempor\u00e1rio no dia 3 de janeiro de 1974, e tratava unicamente das rela\u00e7\u00f5es do trabalho tempor\u00e1rio. Essa situa\u00e7\u00e3o foi alterada a partir da publica\u00e7\u00e3o e vig\u00eancia da reforma trabalhista que entrou em vigor em 2017, ocasi\u00e3o em que passou a prever tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es laborais decorrentes da terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a promulga\u00e7\u00e3o das Leis n.13.429\/2017 e 13.467\/2017, a atividade de terceiriza\u00e7\u00e3o passou a ter previs\u00e3o legal nos artigos 4\u00b0-A, 4\u00b0-B, 4\u00b0-C, 5\u00b0-A, 5\u00b0-B, 5\u00b0-C, 5\u00b0-D, 19-A, 19-B e 19-C da Lei n. 6.019\/74.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante disso, ao contr\u00e1rio do que muitos acreditam, o trabalho tempor\u00e1rio e a terceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se confundem.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Inclusive, menciona expressamente o artigo 42 do Decreto Regulamentador do Trabalho Tempor\u00e1rio n. 10.854<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, o qual foi publicado em 2021:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Art. 42. O trabalho tempor\u00e1rio n\u00e3o se confunde com a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a terceiros de que trata o art. 4.\u00ba-A da Lei n.\u00ba 6.019, de 1974.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O texto original desse artigo constava no par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 2\u00ba do Decreto (10.060\/19) e foi totalmente recepcionado pelo novo Decreto. O prop\u00f3sito do decreto anterior, foi exatamente corrigir distor\u00e7\u00f5es interpretativas e minimizar a inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Observe o que consta na nota t\u00e9cnica, de lavra da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Desiree Paes Liger Coordenadora-Geral de An\u00e1lise T\u00e9cnica do Minist\u00e9rio da Economia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que encaminhou o decreto 10.060\/19 para a promulga\u00e7\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><em>\u201c(&#8230;) 4. A proposta visa \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o de pontos sens\u00edveis no que tange ao trabalho tempor\u00e1rio, sobretudo a adequa\u00e7\u00e3o das nomenclaturas que geram inseguran\u00e7a jur\u00eddica tanto \u00e0s empresas quanto ao trabalhador, bem como a elucida\u00e7\u00e3o dos conceitos relacionados ao trabalho tempor\u00e1rio, e, ato cont\u00ednuo, o aperfei\u00e7oamento desta rela\u00e7\u00e3o de trabalho que agrega enorme potencial de desenvolvimento da economia e gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/em><\/p>\n<p><em>5. O regime jur\u00eddico do Trabalho Tempor\u00e1rio, institu\u00eddo pela Lei Federal n\u00b0 6.019, de 3 de janeiro de 1974, adquiriu moderniza\u00e7\u00e3o com as altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n\u00b0 13.429, de 31 de mar\u00e7o de 2017 que por sua vez refere-se ao tema terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>6. Sendo assim, em que pese serem temas distintos, as disposi\u00e7\u00f5es referentes a trabalho tempor\u00e1rio e terceiriza\u00e7\u00e3o no mesmo texto legal trouxeram confus\u00e3o para ambos os institutos, e por consequ\u00eancia, inseguran\u00e7a jur\u00eddica para as senten\u00e7as proferidas e fragilidade no ato da contrata\u00e7\u00e3o por parte das empresas que fomentam o setor. (&#8230;)\u201d<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embasados na fundamenta\u00e7\u00e3o acima, no presente estudo abordaremos as diferen\u00e7as mais relevantes a respeito dos dois regimes,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> visando evitar qualquer confus\u00e3o entre \u00e0s duas modalidades trabalhistas. <\/span><\/p>\n<p><strong>2. Conceito<\/strong><\/p>\n<p>A presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a terceiros, prevista no CNAE 7830-200, assim chamada pela Lei, conhecida como terceiriza\u00e7\u00e3o, \u00e9 conceituada pelo artigo 4\u00ba-A da Lei 6.019\/74, e consiste no fornecimento de m\u00e3o de obra para a empresa contratante, por uma empresa que possua capacidade econ\u00f4mica compat\u00edvel com essa execu\u00e7\u00e3o (empresa contratada), pelo prazo estipulado em contrato. A empresa de terceiriza\u00e7\u00e3o ou fornecimento de m\u00e3o-de-obra n\u00e3o precisa de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da Secretaria do Trabalho. Essa terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 aplicada tanto nas atividades-meio (\u00e1reas de apoio), quanto na atividade-fim (atividade principal da empresa).<\/p>\n<p>Por outro lado, o Trabalho Tempor\u00e1rio, nos termos do artigo 2\u00ba da Lei 6.019\/74, \u00e9 aquele prestado por pessoa f\u00edsica \u00e0 empresa tomadora para exercer pessoalmente uma determinada fun\u00e7\u00e3o, por um prazo limitado, desde que seja exclusivamente para a <strong>substitui\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria de empregados efetivos afastados ou atender a uma demanda complementar de servi\u00e7os.<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de trabalho tempor\u00e1rio entre a empresa que demanda o trabalho e o trabalhador tempor\u00e1rio \u00e9 intermediada, por for\u00e7a de lei, por uma ag\u00eancia privada de trabalho tempor\u00e1rio devidamente credenciada pelo Minist\u00e9rio da Economia, prevista no CNAE 7820-500.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a lei denomine como <\/span><b><i>Empresa de Trabalho Tempor\u00e1rio<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> o termo <\/span><b>ag\u00eancia <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 uma nomenclatura usada mundialmente para o setor,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> escolhida atrav\u00e9s <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">da Conven\u00e7\u00e3o 181 da OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho) de 3 de junho de 1997, conforme art. 1, I, que esclarece que:<\/span><\/p>\n<p><em>\u201cPara os efeitos da presente Conven\u00e7\u00e3o, a express\u00e3o ag\u00eancia de emprego privada designa qualquer pessoa singular ou coletiva, independente das autoridades p\u00fablicas, que preste um ou mais dos seguintes servi\u00e7os referentes ao mercado de trabalho.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O termo \u201cEmpresa utilizadora de Trabalho Tempor\u00e1rio\u201d, tamb\u00e9m \u00e9 uma nomenclatura usada mundialmente, para se referir a Empesa Tomadora de Servi\u00e7os ou Cliente, que foi escolhida atrav\u00e9s do art.1, I, b, da Conven\u00e7\u00e3o 181 da OIT.<\/p>\n<p><em>\u201cServi\u00e7os que consistem em empregar trabalhadores com o fim de os p\u00f4r \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de uma terceira pessoa, singular ou coletiva (adiante designada empresa utilizadora), que determina as suas tarefas e supervisiona a sua execu\u00e7\u00e3o.\u201d (grifei)<\/em><\/p>\n<p>Portanto, para se referir as duas empresas, usaremos daqui em diante os termos reconhecidos pela OIT.<\/p>\n<p><strong>3. Refer\u00eancias legislativas<\/strong><\/p>\n<p>A primeira normatiza\u00e7\u00e3o do Trabalho Tempor\u00e1rio no mundo ocorreu na Fran\u00e7a, em janeiro de 1972, quando surgiu a Lei 72-1, que disciplinou a coloca\u00e7\u00e3o de Trabalhadores Tempor\u00e1rios \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Empresas Utilizadoras, por intermedia\u00e7\u00e3o de uma Ag\u00eancia de Coloca\u00e7\u00e3o de Trabalho Tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Brasil, inspirado na Lei francesa, foi o segundo pa\u00eds a normatizar o Trabalho Tempor\u00e1rio. Em 1974 foi promulgada a Lei 6.019 para regulamentar essas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 a terceiriza\u00e7\u00e3o, estava limitada as disposi\u00e7\u00f5es da S\u00famula 331 do TST (Tribunal Superior do Trabalho), at\u00e9 a entrada em vigor das Leis n.13.429\/2017 e 13.467\/2017.<\/span><\/p>\n<p><strong>4. Previs\u00e3o legal e Regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>A princ\u00edpio, a lei que disp\u00f5e sobre as duas modalidades trabalhistas ora abordadas \u00e9 a mesma, mas nem sempre foi assim.<\/p>\n<p>A Lei n. 6.019\/74i , como exposto, dispunha somente sobre o Trabalho Tempor\u00e1rio. Em mar\u00e7o de 2017 (ap\u00f3s 43 anos), com a entrada em vigor da Lei n. 13.429\/2017ii, a terceiriza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra foi inserida em nosso ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Aqui aparece a primeira diferen\u00e7a entre as duas rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, apesar de atualmente estarem previstas na mesma lei, elas foram institu\u00eddas por leis distintas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Trabalho Tempor\u00e1rio foi regulamentado, inicialmente, pelo Decreto n. 73.841\/1974, substitu\u00eddo pelo Decreto n. 10.060\/2019, <span style=\"font-weight: 400;\">que como exposto, veio para corrigir a inseguran\u00e7a jur\u00eddica havia no passado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ano de 2021 o Governo Federal promoveu uma consolida\u00e7\u00e3o das normas trabalhistas infralegais e publicou no dia 10 de novembro de 2021 o Decreto 10.854\/21, assinado pelo Presidente da Rep\u00fablica, Ministro da Economia e Ministro do Trabalho e Previd\u00eancia. Essa consolida\u00e7\u00e3o passou a tratar, em um s\u00f3 decreto, de diversos assuntos, como as disposi\u00e7\u00f5es sobre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">vale-transporte, gratifica\u00e7\u00e3o natalina, do registro eletr\u00f4nico do controle de jornada, etc.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A atividade de fornecimento de m\u00e3o de obra foi regulamentada tamb\u00e9m pelo novo Decreto, mas antes disso n\u00e3o possu\u00eda um decreto regulamentador. O referido Decreto separa as atividades econ\u00f4micas em dois cap\u00edtulos, o cap\u00edtulo IX trata da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a terceiros e o cap\u00edtulo X que disp\u00f5e sobre a rela\u00e7\u00e3o de trabalho tempor\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<p>Registre-se que a atividade de terceiriza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra em nosso pa\u00eds, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da Lei 13.429\/2017, n\u00e3o encontrava em nosso ordenamento jur\u00eddico sua previs\u00e3o, quanto menos sua regulamenta\u00e7\u00e3o. As rela\u00e7\u00f5es decorrentes do trabalho terceirizado estavam limitadas as disposi\u00e7\u00f5es previstas na s\u00famula 331 do TST. Em raz\u00e3o da necessidade de adequa\u00e7\u00e3o destas rela\u00e7\u00f5es \u00e0 realidade f\u00e1tica, a an\u00e1lise da licitude da terceiriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os foi apreciada pelo STF na ADPF n\u00ba 3241 e no Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba 958.2522, demandas nas quais se fixou o entendimento da possibilidade da terceiriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em qualquer atividade, independente de se tratar de atividade fim ou meio. Hoje a terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 irrestrita.<\/p>\n<p><strong>5. Contrato civil entre as empresas<\/strong><\/p>\n<p>5.1. &#8211; <strong>Servi\u00e7o de intermedia\u00e7\u00e3o de trabalhadores tempor\u00e1rios x Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os de Fornecimento de m\u00e3o-de-obra efetiva.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O servi\u00e7o prestado pelas ag\u00eancias de trabalho tempor\u00e1rio, consiste na atividade de intermedia\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ag\u00eancia tem a fun\u00e7\u00e3o de recrutar e selecionar o trabalhador tempor\u00e1rio e celebrar a contrata\u00e7\u00e3o individual da pessoa f\u00edsica, por conta e ordem da Utilizadora, assim como, assistir os trabalhadores quanto aos seus direitos, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">nos termos do artigo 48 do Decreto 10.854\/21<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem presta o trabalho tempor\u00e1rio \u00e9 a pessoa f\u00edsica (trabalhador), qualificada para exercer a fun\u00e7\u00e3o, sendo a ag\u00eancia respons\u00e1vel apenas pelo repasse dos sal\u00e1rios e obriga\u00e7\u00f5es previstas em lei. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a terceiros, consiste no fornecimento de m\u00e3o-de-obra pela empresa contratada, conforme o entendimento firmado na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (ADI) n.\u00ba 5686<\/span> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Supremo Tribunal Federal <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(STF).<\/span><\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o relator ministro Gilmar Mendes decidiu pela possibilidade de haver a terceiriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em qualquer atividade, independente de se tratar de atividade fim ou meio das empresas. Isso n\u00e3o implica que presta\u00e7\u00e3o de trabalho se confunda com presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>5.2. &#8211; Necessidade de Registro especial da Ag\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A ag\u00eancia de trabalho tempor\u00e1rio, nos termos do artigo 4\u00ba4 da lei e artigo 3\u00ba5 , inciso I do Decreto regulamentador 10.060\/19, deve ser credenciada junto a atual Secretaria do Trabalho do Minist\u00e9rio da Economia (antigo Minist\u00e9rio do Trabalho).<\/p>\n<p>De outro lado, a empresa de fornecimento de m\u00e3o-de-obra pode ser qualquer pessoa jur\u00eddica que respeite os requisitos estabelecidos no art. 4\u00b0-B da Lei 6.019\/74.<\/p>\n<p><strong>5.3. &#8211; Autoriza\u00e7\u00e3o de contrato<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para que a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de Trabalho Tempor\u00e1rio se inicie, \u00e9 necess\u00e1ria a exist\u00eancia e comprova\u00e7\u00e3o de motivo justificador. S\u00e3o apenas duas hip\u00f3teses legais (substitui\u00e7\u00e3o e demanda), previstas no artigo 2.\u00ba, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">caput e par\u00e1grafo 2.\u00ba da Lei 6.019\/74. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Vejamos:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cArt. 2.\u00ba Trabalho tempor\u00e1rio \u00e9 aquele prestado por pessoa f\u00edsica contratada por uma empresa de trabalho tempor\u00e1rio que a coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de uma empresa tomadora de servi\u00e7os, para atender \u00e0 <\/span><\/i><b><i>necessidade de substitui\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria de pessoal permanente<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou \u00e0 <\/span><\/i><b><i>demanda complementar de servi\u00e7os<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">.              <\/span><\/i><\/p>\n<ul>\n<li><i><span style=\"font-weight: 400;\"> 2.\u00ba Considera-se complementar a demanda de servi\u00e7os que seja oriunda de fatores i<\/span><\/i><b><i>mprevis\u00edveis<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou, quando decorrente de fatores <\/span><\/i><b><i>previs\u00edveis, tenha natureza intermitente, peri\u00f3dica ou sazonal<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u201d<\/span><\/i><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira delas \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o, de forma transit\u00f3ria de um empregado efetivo, como ocorre, por exemplo, por f\u00e9rias ou licen\u00e7a maternidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A segunda hip\u00f3tese legal corresponde a chamada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">demanda complementar de servi\u00e7os <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e neste caso, pode acontecer por fatores <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">imprevis\u00edveis ou previs\u00edveis, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">sendo que, no caso deste \u00faltimo, deve ter natureza intermitente, peri\u00f3dica ou sazonal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As chamadas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">demandas complementares <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">imprevis\u00edveis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, s\u00e3o aquelas que a utilizadora n\u00e3o consegue prever, como, por exemplo, a Pandemia causada pelo Covid-19. J\u00e1 as de natureza <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">previs\u00edveis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, s\u00e3o aquelas que em raz\u00e3o da natureza do neg\u00f3cio, a empresa consegue prever. Estas podem ter natureza <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">intermitente, peri\u00f3dica <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sazonal.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A demanda \u00e9 um acr\u00e9scimo originado na utilizadora, que pode ser: <\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"3\"><span style=\"font-weight: 400;\">Intermitente:<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> ocorrem intervalos que cessam a atividade; podendo n\u00e3o ocorrer novamente ou apenas ap\u00f3s um intervalo de tempo, como, por exemplo, a troca do sistema operacional de uma f\u00e1brica; <\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"3\"><span style=\"font-weight: 400;\">Peri\u00f3dicas:<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que acontece em intervalos de tempo regulares. Exemplo: datas comemorativas como p\u00e1scoa e natal.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"3\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sazonais:<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> s\u00e3o as atividades que ocorrem em per\u00edodos atrelados \u00e0s esta\u00e7\u00f5es do ano. Exemplo: produ\u00e7\u00e3o de nova cole\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria t\u00eaxtil (primavera-ver\u00e3o ou outono-inverno).<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o fornecimento de m\u00e3o-de-obra, apesar de possuir suas pr\u00f3prias exig\u00eancias legais para que a contrata\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o seja efetivada, as condicionantes mencionadas acima n\u00e3o se aplicam.<\/span><\/p>\n<p><strong>5.4. &#8211; Caracter\u00edsticas dos contratos.<\/strong><\/p>\n<p>A terceiriza\u00e7\u00e3o como vimos \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o interempresarial, ou seja, h\u00e1 o fornecimento de m\u00e3o-de-obra de uma empresa, denominada contratada, para outra empresa, denominada contratante. Nessa rela\u00e7\u00e3o contratual, as partes s\u00e3o somente pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n<p>No trabalho tempor\u00e1rio h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o interposta, sendo necess\u00e1ria a celebra\u00e7\u00e3o de dois contratos (um de servi\u00e7o e outro de trabalho), que envolvem tr\u00eas sujeitos (utilizadora, ag\u00eancia e tempor\u00e1rio), cabendo a ag\u00eancia a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos direitos do trabalhador, em substitui\u00e7\u00e3o ao Governo.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro contrato \u00e9 <\/span><b>de servi\u00e7o de intermedia\u00e7\u00e3o de trabalho tempor\u00e1rio<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, previsto no artigo 9 da Lei 6.019\/74, celebrado entre a Ag\u00eancia de Trabalho Tempor\u00e1rio e a Empresa Utilizadora, a qual necessita da for\u00e7a de trabalho adicional, conforme o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artigo 41 do Decreto 10.854\/21:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Art. 41. Considera-se trabalho tempor\u00e1rio, nos termos do disposto na Lei n\u00ba 6.019, de 1974, aquele prestado por pessoa natural contratada por empresa de trabalho tempor\u00e1rio que a coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de empresa tomadora de servi\u00e7os ou cliente para atender \u00e0 necessidade de substitui\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria de pessoal permanente ou \u00e0 demanda complementar de servi\u00e7os.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O segundo contrato possui <\/span><b>natureza trabalhista<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e est\u00e1 previsto no artigo 11 da Lei 6.019\/74. \u00c9 um contrato individual celebrado entre a Ag\u00eancia com o trabalhador tempor\u00e1rio, em que deve obrigatoriamente ser indicada a empresa utilizadora, onde o obreiro prestar\u00e1 o seu labor, conforme determina o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artigo 65, inciso II do Decreto 10.854\/21, vejamos: <\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cArt. 65. A empresa de trabalho tempor\u00e1rio <\/span><\/i><b><i>celebrar\u00e1 contrato individual<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> de trabalho tempor\u00e1rio por escrito <\/span><\/i><b><i>com o trabalhador colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da empresa tomadora<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou cliente, do qual constar\u00e3o expressamente:<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">(\u2026)<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">II &#8211; a indica\u00e7\u00e3o da empresa tomadora de servi\u00e7os ou cliente.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>6. Caracter\u00edsticas do contrato de trabalho<\/strong><\/p>\n<p><strong>6.1. &#8211; Registro x Anota\u00e7\u00e3o da CTPS<\/strong><\/p>\n<p>Os direitos do trabalhador tempor\u00e1rio s\u00e3o determinados pelo artigo 12 da Lei 6.019\/74. A CLT, neste caso, \u00e9 aplicada de forma subsidiaria e suplementar.<\/p>\n<p>Os dados do trabalhador tempor\u00e1rio relacionados ao CNPJ da empresa utilizadora s\u00e3o informados pela ag\u00eancia, atrav\u00e9s do sistema \u201ce-Social\u201d do Governo Federal, aplicando o c\u00f3digo 106 da tabela de categoria de trabalhadores. Com essa informa\u00e7\u00e3o, acontece automaticamente a anota\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de tempor\u00e1rio, na carteira de trabalho digital do trabalhador.<\/p>\n<p>Em contrapartida, no caso da terceiriza\u00e7\u00e3o, os direitos do trabalhador est\u00e3o previstos na CLT, e seu registro profissional \u00e9 informado pela <strong>pr\u00f3pria empresa prestadora de servi\u00e7os de fornecimento de m\u00e3o-de-obra<\/strong>, atrav\u00e9s do e-social aplicando o c\u00f3digo 101 da categoria de trabalhadores.<\/p>\n<p>Fica claro que, os contratos de trabalho do Tempor\u00e1rio e do Terceirizado tem c\u00f3digos diferentes, conforme exemplifica a tabela abaixo, dispon\u00edvel atrav\u00e9s do link: eSocial vers\u00e3o S-1.0 &#8211; Tabelas (<a href=\"http:\/\/www.gov.br\">www.gov.br<\/a>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho.png\"><img class=\"aligncenter wp-image-29180 size-full\" src=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho.png\" alt=\"\" width=\"557\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho.png 557w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho-300x288.png 300w\" sizes=\"(max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 n\u00edtido que o grupo de categorias de trabalhadores constantes na tabela 01 do e-Social, \u00e9 composto por apenas dois itens. Sendo o de empregados (inclusive terceirizados) e de trabalhadores (exclusivamente tempor\u00e1rios).<\/p>\n<p><strong>6.2. &#8211; Prazo da contrata\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O contrato de trabalho tempor\u00e1rio tem prazo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">limitado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Os par\u00e1grafos 1\u00ba e 2\u00ba<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> do artigo 10 (Lei 6.019\/74), disp\u00f5em que o prazo do contrato tempor\u00e1rio ser\u00e1 de <\/span><b>at\u00e9 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">180 (cento e oitenta) dias, prorrog\u00e1vel por at\u00e9 90 (noventa), desde que, o motivo da contrata\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria se mantenha nesse per\u00edodo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Caso o motivo justificador seja encerrado antes do prazo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">limite<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, o contrato ser\u00e1 encerrado automaticamente, sem caracterizar t\u00e9rmino antecipado do contrato, j\u00e1 que sua contrata\u00e7\u00e3o est\u00e1 vinculada ao motivo e n\u00e3o ao prazo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fornecimento de m\u00e3o-de-obra, o prazo do contrato de trabalho poder\u00e1 ser <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">indeterminado o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">u <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">determinado.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> Se <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">determinado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, a contrata\u00e7\u00e3o possui previamente prazo final, e no caso de ser encerrado antes, \u00e9 caracterizado t\u00e9rmino antecipado, nos termos do artigo 479 da CLT. <\/span><\/p>\n<p><strong>6.3. &#8211; V\u00ednculo Sindical<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Sindicato \u00e9 de associa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, com car\u00e1ter permanente, para defesa e coordena\u00e7\u00e3o dos interesses econ\u00f4micos e\/ou profissionais de indiv\u00edduos (empregados, empregadores, profissionais liberais, aut\u00f4nomos, etc.) que exercem a mesma atividade, atividades similares ou conexas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diferente do que muitos acreditam, o sindicato n\u00e3o defende apenas os interesses coletivos dos trabalhadores. Na verdade, essa \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de um sindicato <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">laboral<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles criados para defender os interesses de um setor econ\u00f4mico, chamados sindicatos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">patronais. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0s duas entidades representativas, pensando no bem comum, dialogam e buscam manter o equil\u00edbrio na rela\u00e7\u00e3o de capital e trabalho. Disto decorre as conven\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho por atividades econ\u00f4micas ou profissionais.  <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme o entendimento do TST \u2013 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Tribunal Superior do <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Trabalho, no julgamento do Recurso de Revista n.\u00ba 119.43.2012.5.09.0008, o trabalhador tempor\u00e1rio se enquadra no mesmo sindicato obreiro da empresa Utilizadora, pois al\u00e9m das tarefas que desenvolve e as necessidades que possuem, a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 equivalente \u00e0 percebida pelos empregados da Utilizadora. J\u00e1 as ag\u00eancias privadas de trabalho tempor\u00e1rio s\u00e3o representadas pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Trabalho Tempor\u00e1rio \u2013 ASSERTTEM<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalhador terceiro possui v\u00ednculo sindical junto a sua categoria. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, o sindicado obreiro dos terceirizados \u00e9 o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">SINDEEPRES \u2013 Sindicado dos Empregados em Empresas Prestadoras de Servi\u00e7os a Terceiros<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">(&#8230;)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, j\u00e1 o patronal \u00e9 o SINDEPRESTEM &#8211; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sindicato das Empresas de Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os a Terceiros<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">(..<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.).<\/span><\/p>\n<p><strong>6.4. &#8211; V\u00ednculo empregat\u00edcio dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT), <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">prev\u00ea em seu artigo 3\u00ba, as condi\u00e7\u00f5es para ser reconhecida a rela\u00e7\u00e3o de <\/span><b>emprego.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> S\u00e3o elas: a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">subordina\u00e7\u00e3o, habitualidade, onerosidade, pessoalidade e pessoa f\u00edsica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para se considerar empregado \u00e9 necess\u00e1rio ser uma pessoa f\u00edsica que se obrigue pessoalmente ao exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, de forma n\u00e3o eventual, em troca de contrapresta\u00e7\u00e3o paga em dinheiro, vinculada ao poder diretivo, disciplinar, fiscalizat\u00f3rio e regulamentar da pessoa jur\u00eddica (o empregador).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme os requisitos previstos, no fornecimento de m\u00e3o de obra, regido pela CLT, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de emprego entre a empresa contratada e a pessoa f\u00edsica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O par\u00e1grafo segundo do artigo 4-A da Lei 6.019\/74 demonstra que o terceirizado n\u00e3o \u00e9 empregado da empresa contratante: <\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00a7 2.\u00ba <\/span><\/i><b><i>N\u00e3o se configura v\u00ednculo empregat\u00edcio<\/i><\/b> <b><i>entre os trabalhadores<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">, ou s\u00f3cios das empresas prestadoras de servi\u00e7os, qualquer que seja o seu ramo, <\/span><\/i><b><i>e a empresa contratante<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u201d (grifei)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste caso, o contrato \u00e9 de servi\u00e7os E n\u00e3o de trabalho. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalhador tempor\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">pessoa f\u00edsica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que se obriga <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">pessoalmente<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ao exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, de forma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00e3o eventual<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em troca de contrapresta\u00e7\u00e3o paga <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">em dinheiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ele \u00e9 vinculado ao poder <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">t\u00e9cnico, diretivo, disciplinar, fiscalizat\u00f3rio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e regulamentar da empresa Utilizadora, a qual necessita da for\u00e7a de trabalho transit\u00f3ria, conforme consta no artigo 2.\u00ba da Lei 6.019\/74.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ali\u00e1s, em que pese a ag\u00eancia de trabalho tempor\u00e1rio tenha a obriga\u00e7\u00e3o de repassar os sal\u00e1rios e benef\u00edcios desse trabalhador, \u00e9 a empresa utilizadora quem define o seu cargo\/CBO<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e o perfil do ocupante, assim como a remunera\u00e7\u00e3o e hor\u00e1rios de trabalho. Tamb\u00e9m \u00e9 a respons\u00e1vel em estabelecer e supervisionar os processos que o trabalhador executa, assim como treinar e aplicar as regras disciplinares determinadas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas as condi\u00e7\u00f5es de v\u00ednculo empregat\u00edcio, exigidas por lei est\u00e3o preenchidas entre o tempor\u00e1rio e a utilizadora, mas ainda assim o trabalhador n\u00e3o \u00e9 considerado empregado, conforme disp\u00f5e o artigo 10 da Lei n. 6.019\/74:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cArt. 10. Qualquer que seja o ramo da empresa tomadora de servi\u00e7os, <\/span><\/i><b><i>n\u00e3o existe v\u00ednculo de emprego <\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">entre ela e os trabalhadores contratados pelas empresas de trabalho tempor\u00e1rio\u201d. (grifei)<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Art. 52. <\/span><\/i><b><i>\u00c9 vedado \u00e0 empresa de trabalho tempor\u00e1rio ter ou utilizar, em seus servi\u00e7os, trabalhador tempor\u00e1rio<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">, exceto quando:<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 v\u00ednculo empregat\u00edcio com a ag\u00eancia, pois al\u00e9m de os requisitos serem preenchidos entre o trabalhador e a Utilizadora, a ag\u00eancia n\u00e3o pode utilizar a for\u00e7a de trabalho tempor\u00e1ria intermediada por ela mesmo, constatemos o que diz o Decreto:<\/span><\/p>\n<p>\u201cArt. 12. \u00c9 vedado \u00e0 empresa de trabalho tempor\u00e1rio:<br \/>\nI &#8211; Contratar estrangeiro portador de visto provis\u00f3rio de perman\u00eancia no Pa\u00eds; e<br \/>\n<strong>II &#8211; Ter ou utilizar, em seus servi\u00e7os, trabalhador tempor\u00e1rio, exceto quando:<br \/>\n<\/strong>a) o trabalhador seja contratado com outra empresa de trabalho tempor\u00e1rio; e<br \/>\nb) seja comprovada a necessidade de substitui\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria de pessoal permanente ou demanda complementar de servi\u00e7os.\u201d<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o em que um trabalhador tempor\u00e1rio \u00e9 contratado para exercer determinada fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e1 ser designado \u00e0 tarefa diversa da estabelecida em seu contrato, ou ser realocado a outra empresa cliente da ag\u00eancia, pois a sua obriga\u00e7\u00e3o dentro do contrato tempor\u00e1rio est\u00e1 vinculada aquela empresa utilizadora e a uma das duas hip\u00f3teses legais. Diferente do que ocorre no fornecimento de m\u00e3o-de-obra, onde o empregado tem v\u00ednculo com a contratada, e este pode ser realocado a outras contratantes de sua empregadora e a crit\u00e9rio dessa.<\/p>\n<p><strong>6.5. \u2013 Obriga\u00e7\u00f5es fiscais dos trabalhadores\/empregados<\/strong><\/p>\n<p>De forma ilustrativa, listamos abaixo os encargos para as duas modalidades trabalhistas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho2.png\"><img class=\"aligncenter wp-image-29181 size-full\" src=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho2.png\" alt=\"\" width=\"785\" height=\"1030\" srcset=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho2.png 785w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho2-229x300.png 229w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho2-780x1024.png 780w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho2-768x1008.png 768w\" sizes=\"(max-width: 785px) 100vw, 785px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Isso posto, fica claro que o trabalhador tempor\u00e1rio tem garantido os mesmos direitos do empregado efetivo, exceto quanto as indeniza\u00e7\u00f5es do aviso pr\u00e9vio e multa do FGTS.<\/p>\n<p><strong>6.6. \u2013 Direitos dos Trabalhadores\/Empregados.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho3.png\"><img class=\"aligncenter wp-image-29182 size-full\" src=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho3.png\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho3.png 725w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho3-300x80.png 300w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho4.png\"><img class=\"aligncenter wp-image-29183 size-full\" src=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho4.png\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho4.png 725w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho4-300x81.png 300w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o artigo 12 da Lei 6.019\/74 e <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artigo 60 do Decreto 10.854\/21,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> s\u00e3o direitos do trabalhador tempor\u00e1rio: <\/span><\/p>\n<ul>\n<li>Remunera\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0quela recebida pelos empregados da mesma categoria da empresa Utilizadora;<\/li>\n<li>Pagamento de f\u00e9rias proporcional; Jornada de trabalho de no m\u00e1ximo 8 (oito) horas di\u00e1rias, podendo ter dura\u00e7\u00e3o superior caso a empresa Utilizadora adote uma jornada de trabalho espec\u00edfica;<\/li>\n<li>Recebimento de f\u00e9rias proporcionais ao per\u00edodo de trabalho, acrescido de adicional de 1\/3;<\/li>\n<li>Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o, na forma prevista em lei;<\/li>\n<li>Seguro contra acidente do trabalho e prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria nos termos da legisla\u00e7\u00e3o, entre outros&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Lei estabelece que para o tempor\u00e1rio a remunera\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser equivalente, isso significa que o sal\u00e1rio do tempor\u00e1rio ser\u00e1 proporcional ao do efetivo, de mesma fun\u00e7\u00e3o, e respeitando a Conven\u00e7\u00e3o Coletiva de Trabalho (CCT) da Utilizadora. Isso porque, as condi\u00e7\u00f5es pessoais como tempo de servi\u00e7o e adicional por cargo de confian\u00e7a n\u00e3o se estendem ao tempor\u00e1rio. O sal\u00e1rio do trabalhador tempor\u00e1rio \u00e9 assemelhado a do efetivo, na medida de suas qualifica\u00e7\u00f5es, responsabilidades e tempo de casa.<\/p>\n<p>Eis aqui outra diferen\u00e7a no que diz respeito ao trabalhador terceirizado, onde o sal\u00e1rio \u00e9 determinado pela fornecedora de m\u00e3o-de-obra, e n\u00e3o possui equival\u00eancia obrigat\u00f3ria \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o recebida pelos efetivos da empresa contratante, devendo ser respeitadas as normas estabelecidas na Conven\u00e7\u00e3o Coletiva de Trabalho (CCT) da Contratada, a prestadora de servi\u00e7os a terceiro.<\/p>\n<p>No mais, em que pese os tempor\u00e1rios possuam direito a f\u00e9rias, o mesmo \u00e9 usufru\u00eddo apenas na sua forma indenizada, ou seja, ele sempre receber\u00e1 em dinheiro. Em raz\u00e3o de sua caracter\u00edstica de prazo limitado, o contrato desse trabalhador n\u00e3o atinge o per\u00edodo de doze meses, previsto no artigo 130 da CLT, para que haja gozo das f\u00e9rias.<\/p>\n<p>O trabalhador tempor\u00e1rio tem direito ao 13\u00ba sal\u00e1rio proporcional aos meses trabalhados. O trabalhador que estiver ativo no m\u00eas de dezembro receber\u00e1 o adiantamento proporcional.<\/p>\n<p>O aviso pr\u00e9vio, previsto na Lei 12.506\/11, d\u00e1 o direito ao acr\u00e9scimo de 3 (tr\u00eas) dias, al\u00e9m dos 30 (trinta), a cada ano de contrato, que ser\u00e1 trabalhado e\/ou indenizado. Assim, um empregado que possui 1 (um) ano e 1 (um) dia de contrato, tem direito a 33 (trinta e tr\u00eas) dias de aviso pr\u00e9vio. Assim que o contrato completar 2 (dois) anos, o direito ao aviso \u00e9 de 36 (trinta e seis) dias, e assim sucessivamente, at\u00e9 atingir o limite de 90 (noventa) dias previsto na referida Lei.<\/p>\n<p>O acr\u00e9scimo do aviso pr\u00e9vio n\u00e3o se aplica ao trabalhador tempor\u00e1rio. Isso porque, esse contrato de trabalho possui prazo limitado. Por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o atinge o per\u00edodo legal para o acr\u00e9scimo previsto em lei. No entanto, \u00e9 devido ao empregado terceirizado com contrato por prazo indeterminado.<\/p>\n<p><strong>6.7. &#8211; Promo\u00e7\u00f5es e plano de carreira.<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos direitos dos trabalhadores, no caso do tempor\u00e1rio, n\u00e3o s\u00e3o aplicados os beneficios oriundos do plano de cargos e sal\u00e1rios, quanto a progress\u00e3o salarial e promo\u00e7\u00e3o de cargo ocorridas no quadro de pessoal efetivo da utilizadora.<\/p>\n<p>Tendo em vista que, o contrato prev\u00ea expressamente seus deveres dentro da utilizadora, n\u00e3o sendo poss\u00edvel a transfer\u00eancia interna de fun\u00e7\u00e3o para outra diferente da qual foi contratado, pois isso afastaria suas tarefas do motivo justificador e descaracterizaria a modalidade tempor\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para que seja poss\u00edvel a transfer\u00eancia interna desse trabalhador, por promo\u00e7\u00e3o ou aproveitamento de sua capacidade profissional, a empresa utilizadora pode rescindir o contrato tempor\u00e1rio e efetivar esse trabalhador. Nesse caso, o contrato passa a ser de prazo indeterminado, regido diretamente pela CLT.<\/p>\n<p>Para o trabalhador que aceita o contrato tempor\u00e1rio, al\u00e9m de verbas indenizadas (f\u00e9rias e d\u00e9cimo terceiro) essa pode ser sua porta de entrada para efetiva\u00e7\u00e3o junto a utilizadora. E neste caso, a Lei 6.019\/74 prev\u00ea uma peculiaridade, n\u00e3o se aplica ao trabalhador o per\u00edodo de experi\u00eancia previsto na CLT.<\/p>\n<p>Vejamos:<\/p>\n<p>\u201cArtigo 10 (&#8230;)<br \/>\n\u00a7 4o N\u00e3o se aplica ao trabalhador tempor\u00e1rio, contratado pela tomadora de servi\u00e7os, o contrato de experi\u00eancia previsto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 445 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei n\u00ba 5.452, de 1o de maio de 1943.\u201d<\/p>\n<p>No caso de empregado terceirizado, contratado diretamente pelo regime CLT, existindo plano de carreira, o empregado pode ser promovido ou mudar de cargo.<\/p>\n<p><strong>6.8. \u2013 Verbas por t\u00e9rmino de contrato<\/strong><\/p>\n<p><strong>6.8.1 &#8211; Empregado Terceirizado<\/strong><\/p>\n<p>O direito brasileiro prev\u00ea, no caso da rescis\u00e3o antecipada do contrato de trabalho, o pagamento de algumas verbas rescis\u00f3rias pelo empregador ao empregado. Esse direito varia, a depender da modalidade de extin\u00e7\u00e3o contratual aplicada, as mais usuais s\u00e3o: pedido de demiss\u00e3o, dispensa com justa causa (artigo 482 da CLT), dispensa sem justa causa ou por rescis\u00e3o indireta (artigo 483 da CLT).<\/p>\n<p>A dispensa sem justa causa ocorre a pedido do trabalhador ou da empresa, sem que haja uma justificativa legal. No caso de ocorrer a a dispensa pela empresa, al\u00e9m das verbas, a empresa deve pagar as multas rescis\u00f3rias.<\/p>\n<p>A dispensa com justa causa, \u00e9 aquela motivada por ao menos uma das previs\u00f5es constantes no artigo 482 da CLT, e a rescis\u00e3o indireta, conhecida tamb\u00e9m por justa causa indireta, ocorre pelo descumprimento das obriga\u00e7\u00f5es por parte da empresa, a chamada falta grave, conforme prev\u00ea o artigo 483 da CLT. No primeiro caso, n\u00e3o haver\u00e1 pagamento das multas, no segundo, ser\u00e1 obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa <\/span><b>multa<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, est\u00e1 prevista no artigo 477 da CLT, e abrange o pagamento de 40% do valor depositado no Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS); e o aviso pr\u00e9vio a que disp\u00f5e o artigo 487 da Lei.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, o artigo 479 da CLT disp\u00f5e que, caso se trate de contratos por prazo determinado, esse empregador deve ainda pagar o valor equivalente \u00e0 metade da remunera\u00e7\u00e3o a que o colaborador teria direito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fornecimento de m\u00e3o-de-obra, os empregados possuem contrato de trabalho por tempo i<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ndeterminado<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> ou <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">determinado<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Para o prazo indeterminado, as multas rescis\u00f3rias s\u00e3o obrigat\u00f3rias (aviso pr\u00e9vio e multa de 40% do FGTS), nos termos estabelecidos pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT). No prazo determinado, se encerrado antes do prazo acordado, al\u00e9m do pagamento verbas rescis\u00f3rias, haver\u00e1 o pagamento de multa de 50% (cinquenta por cento) do per\u00edodo restante de contrato (artigo 479 da CLT).<\/span><\/p>\n<p>Vejamos como ficam as verbas rescis\u00f3rias do empregado terceirizado:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho5.png\"><img class=\"aligncenter wp-image-29184 size-full\" src=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho5.png\" alt=\"\" width=\"724\" height=\"173\" srcset=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho5.png 724w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho5-300x72.png 300w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Importante destacar que h\u00e1 ainda a possibilidade de um acordo entre empregador e empregado para fins de extin\u00e7\u00e3o do contrato de trabalho, nos termos do art. 484A da CLT.<\/p>\n<p><strong>6. 8 .2. Trabalhador Tempor\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Como vimos, o contrato do trabalhador tempor\u00e1rio \u00e9 de prazo sua contrata\u00e7\u00e3o est\u00e1 vinculada a uma hip\u00f3tese legal e motivo justificador. limitado , e , mesmo que haja uma data limite para o seu t\u00e9rmino, caso a demanda complementar de servi\u00e7os acabe, ou a substitui\u00e7\u00e3o de pessoal efetivo n\u00e3o seja mais necess\u00e1ria, o trabalhador tempor\u00e1rio pode ser dispensado de suas fun\u00e7\u00f5es antes da data limite, pois o motivo que ensejou sua contrata\u00e7\u00e3o encerrou.<\/p>\n<p>Diante disso , no trabalho tempor\u00e1rio, n\u00e3o se aplicam as indeniza\u00e7\u00f5es rescis\u00f3rias, que s\u00e3o, a multa do aviso pr\u00e9vio e os 4 0% (quarenta por cento) sobre o saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o).<\/p>\n<p>O seguro-desemprego tem como objetivo amparar financeiramente o dispensado sem justa causa 7.998\/90 , visando su , que cumpra os requis\u00edtos previstos na Lei n\u00ba a recoloca\u00e7\u00e3o ao mercado de trabalho. O prazo para solicita\u00e7\u00e3o \u00e9 de 120 (cento e vinte) dias ap\u00f3s a demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O seguro-desemprego n\u00e3o pode ser solicitado pelo tempor\u00e1rio, pois a caracter\u00edstica do contrato tempor\u00e1rio \u00e9 de prazo flex\u00edvel e limitado. O assegurado que estiver gozando desse benef\u00edcio n\u00e3o perde o direito tempor\u00e1ria, pois no t\u00e9rmino d caso aceite uma oportunidade o contrato tempor\u00e1rio pode solicitar a concess\u00e3o novamente e receber\u00e1 as parcelas remanescentes, que ficam suspensas durante essa contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Saliento que a modalidade de contrata\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria tem alto \u00edndice de efetiva\u00e7\u00e3o na empresa Utilizadora, al\u00e9m de permitir amplitude de experiencias e o desenvolvimento profissional do tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>O trabalhador tempor\u00e1rio \u00e9 contratado com a ci\u00eancia de que seu contrato de trabalho tem curta dura\u00e7\u00e3o e limite de tempo motivo just ificador na empresa Utilizadora , , por\u00e9m, deve a qualquer tempo. ser encerrado no t\u00e9rmino do Por essa raz\u00e3o n\u00e3o se aplica ao trabalhador tempor\u00e1rio a indeniza\u00e7\u00e3o prevista no art. 479 da CLT, pois o mesmo trata de indeniza\u00e7\u00e3o por t\u00e9rmino de contrato antecipado.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No mesmo sentido, nos termos do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artigo 64, inciso II do Decreto 10.854\/21<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, o tempor\u00e1rio n\u00e3o ter\u00e1 direito a multa prevista no artigo 479 da CLT.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vejamos o que diz o decreto e a CLT:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cArt. 64. N\u00e3o se aplica ao trabalhador tempor\u00e1rio: <\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">(\u2026)<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">II &#8211; a indeniza\u00e7\u00e3o prevista no art. 479 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei n\u00ba 5.452, de 1943.\u201d <\/span><\/i><\/p>\n<p>Vejamos como ficam as verbas rescis\u00f3rias do Trabalhador Tempor\u00e1rio:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho6.png\"><img class=\"aligncenter wp-image-29185 size-full\" src=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho6.png\" alt=\"\" width=\"717\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho6.png 717w, https:\/\/traveloffice.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/trabalho6-300x119.png 300w\" sizes=\"(max-width: 717px) 100vw, 717px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7. Pre\u00e7o do Servi\u00e7o.<\/strong><\/p>\n<p>No Trabalho Tempor\u00e1rio a atividade desenvolvida pela ag\u00eancia \u00e9 de <strong>intermedia\u00e7\u00e3o<\/strong> de trabalhadores tempor\u00e1rios, ou as chamadas obriga\u00e7\u00f5es de <strong>meio<\/strong> . Em outras palavras, quem presta o trabalho tempor\u00e1rio \u00e9 a pessoa f\u00edsica (trabalhador) que \u00e9 qualificada para exercer a fun\u00e7\u00e3o. A Ag\u00eancia apenas administra por imposi\u00e7\u00e3o legal do art. 4\u00ba da lei 6.019\/74, o contrato individual de trabalho tempor\u00e1rio, n\u00e3o cabendo a esta, a responsabilidade pela qualidade do trabalho prestado pela pessoa f\u00edsica.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa contrata\u00e7\u00e3o, o Trabalhador fica subordinado durante todo o per\u00edodo contratual \u00e0 empresa cliente, e a ag\u00eancia por sua vez, apenas providencia as condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para que o tempor\u00e1rio fique \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da empresa cliente, al\u00e9m de assisti-lo quanto aos seus direitos, nos termos do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artigo 48 do Decreto 10.854\/21,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e providenciar os arquivos legais, e-Social c\u00f3digo 106. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O pre\u00e7o do servi\u00e7o \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o legal prevista no art. 9.\u00ba, inciso IV da Lei 6.019\/74 e n\u00e3o se confunde com o custo do trabalhador. O fato gerador da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e9 a intermedia\u00e7\u00e3o do trabalho tempor\u00e1rio, prevista no artigo 4.\u00ba da Lei.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse servi\u00e7o de intermedia\u00e7\u00e3o \u00e9 representando por uma taxa de agenciamento proporcional ao volume de trabalhadores colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da empresa cliente. Logo, a base de c\u00e1lculo para incid\u00eancia dos tributos devidos pelas <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ag\u00eancias de trabalho tempor\u00e1rio<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> como o ISS, PIS e COFINS \u00e9 somente a <\/span><b>taxa de agenciamento, <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">sua receita bruta e seu faturamento, nos termos do<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> par\u00e1grafo 1, do artigo 71 do Decreto 10.854\/21.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cArt. 71. <\/span><\/i><b><i>Para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de coloca\u00e7\u00e3o de trabalhadores tempor\u00e1rios \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de outras empresas<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 obrigat\u00f3ria a celebra\u00e7\u00e3o de contrato por escrito entre a empresa de trabalho tempor\u00e1rio e a empresa tomadora de servi\u00e7os ou cliente, do qual constar\u00e3o expressamente:<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">(\u2026)<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">IV &#8211; <\/span><\/i><b><i>o valor estabelecido para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">; e<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">(\u2026)<\/span><\/i><\/p>\n<ul>\n<li><i><span style=\"font-weight: 400;\"> 1\u00ba <\/span><\/i><b><i>O valor da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de que trata o inciso IV do caput consiste na taxa de agenciamento<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de coloca\u00e7\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de trabalhadores tempor\u00e1rios.\u201d<\/span><\/i><\/li>\n<\/ul>\n<p>Ocorre que, a Nota Fiscal das ag\u00eancias, al\u00e9m de possuir o lan\u00e7amento da taxa administrativa (real pre\u00e7o do servi\u00e7o prestado), tem em sua composi\u00e7\u00e3o os valores de repasses relativos \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas e fiscais dos tempor\u00e1rios, cujos montantes s\u00e3o de responsabilidade da empresa utilizadora.<\/p>\n<p>O total da nota fiscal n\u00e3o pode ser usado, em hip\u00f3tese nenhuma, como base de c\u00e1lculo tribut\u00e1ria, pois a nota fiscal cont\u00e9m, al\u00e9m do pre\u00e7o do servi\u00e7o, que \u00e9 o fato gerador do tributo, os reembolsos de qualquer natureza relativos \u00e0 folha de sal\u00e1rios, tendo em vista que no total da nota fiscal se incluem obriga\u00e7\u00f5es legais trabalhistas e fiscais, tais como sal\u00e1rios, FGTS, INSS, Vale-Transporte e EPIs. O total da nota fiscal n\u00e3o tem previs\u00e3o legal para incid\u00eancia tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>Estes custos decorrentes de obriga\u00e7\u00f5es legais n\u00e3o se caracterizam como presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. A \u00fanica hip\u00f3tese legal para uso do total da nota-fiscal \u00e9 exclusivamente para o caso do c\u00e1lculo da reten\u00e7\u00e3o de 11% (onze por cento), da cota previdenci\u00e1ria patronal, conforme determina expressamente o artigo 31 da Lei 8.212\/91.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esses valores, no entanto, podem ser adiantados ao trabalhador pela ag\u00eancia, e voltam para o caixa da ag\u00eancia como reembolso efetuado pela utilizadora. Por esse motivo, devem estar discriminados e destacados na nota fiscal, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">nos termos do artigo 51 do decreto regulamentador (10.854\/21), vejamos:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cArt. 51. A empresa de trabalho tempor\u00e1rio fica obrigada a <\/span><\/i><b><i>discriminar, separadamente,<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> em nota fiscal, os valores pagos a t\u00edtulo de obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas e fiscais e a taxa de agenciamento de coloca\u00e7\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores tempor\u00e1rios.\u201d (grifei)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso ocorre porque, a ag\u00eancia \u00e9 respons\u00e1vel por assistir aos trabalhadores tempor\u00e1rios quanto aos seus direitos, inclusive retendo em Nota Fiscal a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Prev\u00ea o artigo<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> 50 do decreto 10.854\/21:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Art. 50. A empresa de trabalho tempor\u00e1rio fica obrigada a apresentar \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o do trabalho, quando solicitado, o contrato celebrado com o trabalhador tempor\u00e1rio, a comprova\u00e7\u00e3o do recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e os demais documentos comprobat\u00f3rios do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es estabelecidas neste Cap\u00edtulo.<\/span><\/i><\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que a ag\u00eancia repasse os sal\u00e1rios dos trabalhadores imediatamente ap\u00f3s receber da utilizadora, sendo expressamente proibida por lei a se apropriar desse valor, que n\u00e3o lhe pertence, mas sim ao trabalhador, sob pena de incorrer no crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, previsto no artigo 168 do C\u00f3digo Penal (CP), al\u00e9m de ser viola\u00e7\u00e3o expressa ao disposto no artigo 7, inciso X da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (reten\u00e7\u00e3o dolosa). Vejamos:<\/p>\n<p><em>\u201cArt. 168 &#8211; Apropriar-se de coisa alheia m\u00f3vel, de que tem a posse ou a deten\u00e7\u00e3o: Pena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos, e multa.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cArt. 7\u00ba S\u00e3o direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, al\u00e9m de outros que visem \u00e0 melhoria de sua condi\u00e7\u00e3o social:<\/em><\/p>\n<p><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>X &#8211; Prote\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio na forma da lei, constituindo crime sua reten\u00e7\u00e3o dolosa;\u201d (grifei)<\/em><\/p>\n<p>Destaco que, a jurisprud\u00eancia dominante entende que o artigo 168 do CP \u00e9 inaplic\u00e1vel no caso do inadimplemento salarial pelos empregadores. Vejamos o entendimento do Superior Tribunal de justi\u00e7a no julgamento do HC 177.508\/PB:<\/p>\n<p><em>&#8220;2. A reten\u00e7\u00e3o dolosa de sal\u00e1rio, conquanto tenha sido prevista no art. 7\u00ba, X da Constitui\u00e7\u00e3o Federal como crime, ainda se ressente da necess\u00e1ria lei, criando o tipo penal respectivo. 3. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 como subsumir a conduta \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita (art. 168 do C\u00f3digo Penal) porque o numer\u00e1rio ao qual o empregado tem direito, at\u00e9 que lhe seja entregue, em esp\u00e9cie ou por dep\u00f3sito, \u00e9 de propriedade da empresa (empregador), n\u00e3o havendo se falar, ent\u00e3o, em invers\u00e3o da posse, necess\u00e1ria para a tipicidade do crime&#8221; (STJ: HC 177.508\/PB, rel. ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 15\/8\/2013, DJe 26\/8\/2013).<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todavia, como restou demonstrado no decorrer deste estudo, a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de trabalho tempor\u00e1rio n\u00e3o cria v\u00ednculo de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">emprego<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> entre nenhuma das partes. Em consequ\u00eancia, no caso de a ag\u00eancia intermedi\u00e1ria deixar de repassar os sal\u00e1rios aos trabalhadores, essa reten\u00e7\u00e3o dolosa violar\u00e1 o dispositivo constitucional supramencionado, podendo a ag\u00eancia responder na justi\u00e7a criminal e trabalhista pelo seu ato, pois como vimos, esses valores n\u00e3o a pertencem em nenhum momento contratual, mesmo que seja por ela repassado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A empresa fornecedora de m\u00e3o de obra (terceiriza\u00e7\u00e3o), de outra parte, \u00e9 contratada para prestar um determinado servi\u00e7o a outra empresa, tendo as chamadas obriga\u00e7\u00f5es de <\/span><b>resultado <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">para com a contratante. Deste modo, o pre\u00e7o do servi\u00e7o ser\u00e1 o valor total de sua <\/span><b>nota fiscal, <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">descontado o que n\u00e3o \u00e9 servi\u00e7o (art. 2 da lei 116\/03).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, no caso de a empresa prestadora de servi\u00e7os de fornecimento de m\u00e3o-de-obra n\u00e3o efetuar o pagamento dos sal\u00e1rios aos seus <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">empregados<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, ap\u00f3s receber a fatura da empresa cliente, o empregado terceirizado n\u00e3o poder\u00e1 recorrer \u00e0 justi\u00e7a criminal, pois neste caso, os valores s\u00e3o de propriedade da prestadora, conforme mencionado na decis\u00e3o judicial acima, e essa reclama\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel na justi\u00e7a trabalhista.<\/span><\/p>\n<p><strong>8. Considera\u00e7\u00f5es Finais.<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, ap\u00f3s a leitura do presente estudo, \u00e9 esperado que tenha ficado exposto de maneira clara que o Regime Jur\u00eddico de Trabalho Tempor\u00e1rio n\u00e3o se confunde com a Terceiriza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de-obra, n\u00e3o apenas em suas naturezas jur\u00eddicas, mas inclusive, com regras e finalidades completamente distintas.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o que prev\u00ea, inclusive, o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artigo 42 do decreto regulamentador do Trabalho Tempor\u00e1rio:<\/span><\/p>\n<p><b><i>\u201cArt. 42. O trabalho tempor\u00e1rio n\u00e3o se confunde com a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a terceiros de que trata o art. 4.\u00ba-A da Lei n.\u00ba 6.019, de 1974.\u201d (GRIFEI)<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse estudo foi elaborado em conjunto com a Diretoria da EMPLOYER TRABALHO TEMPOR\u00c1RIO S.A., representada pelo nosso Presidente Marcos de Abreu, e diretoras: Reni Ribas e V\u00e2nia Montenegro. Com a colabora\u00e7\u00e3o dos setores jur\u00eddico, financeiro e administrativo, aqui representados por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Keli Saquette, Luciana Pires, Fernanda Concei\u00e7\u00e3o e Stefanne Ribeiro. <\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Maio de 2021.<\/span><b> <\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Let\u00edcia do Nascimento Pereira<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Advogada &#8211; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">OAB\/SP N.\u00ba 457.214.<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(Brasil, LEI No 6.019, DE 3 DE JANEIRO DE 1974., 1974) Acesso: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6019.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6019.htm<\/a><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt;\">(Brasil, Lei n\u00ba 13.429 de 31 de mar\u00e7o de 2017) Acesso: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato20152018\/2017\/lei\/l13429.htm\" class=\"broken_link\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato20152018\/2017\/lei\/l13429.htm<\/a><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt;\">(Brasil, Decreto n. 73.841\/74 de 13 de mar\u00e7o de 1974) Acesso: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/Antigos\/D73841.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/Antigos\/D73841.htm<\/a><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt;\">(Brasil, Decreto n. 10060 de 14 de outubro de 2019) Acesso: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato20192022\/2019\/decreto\/D10060.htm\" class=\"broken_link\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato20192022\/2019\/decreto\/D10060.htm<\/a><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/solucoes.employer.com.br\/e-book-trabalho-temporario-e-terceirizacao\"><strong>Baixe o Ebook gratuito!<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo. O presente estudo abordar\u00e1 as principais diferen\u00e7as entre o trabalhador tempor\u00e1rio e o empregado terceirizado, e o regime jur\u00eddico trabalhista, civil e fiscal de cada um. Palavras-chave: Terceiriza\u00e7\u00e3o, Fornecimento de M\u00e3o-de-obra, Trabalho Tempor\u00e1rio, Intermedia\u00e7\u00e3o, Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os de M\u00e3o-de-obra Terceirizada, Taxa de agenciamento. Sum\u00e1rio: 1. Introdu\u00e7\u00e3o, 2. Conceito, 3. Refer\u00eancias Legislativas 4. Previs\u00e3o legal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":29186,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[18,451],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v16.8 (Yoast SEO v18.3) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Trabalhador Tempor\u00e1rio n\u00e3o se confunde com o Empregado Terceirizado.<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Trabalhador Tempor\u00e1rio n\u00e3o se confunde com o Empregado Terceirizado. A Employer explica neste artigo. 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